Sandra Schulze

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Sandra Schulze

 

Olá, meu nome é Sandra Schulze, tenho 52 anos, sou solteira e moro em Joinville. Eu tive um AVC isquêmico em Setembro de 2013, na época tinha um trabalho bem estressante como faturista em uma empresa. Fui dormir normal em uma noite e quando acordei, no outro dia, no horário que sempre acordava para ir trabalhar ao tentar levantar e ficar de pé, caí na frente da cama e ali já não consegui mais me mexer. Senti meu braço esquerdo frio e paralisado e por ali no chão fiquei. Por minha sorte o pessoal da empresa sentiu a minha falta na chegada ao trabalho, pois geralmente era a primeira a chegar e abrir a porta da empresa. Por isso vieram até o meu condomínio me procurar porque além disso eu moro sozinha. Ao chegarem, começaram a me chamar e a bater nas janelas do apartamento. Foi então que eu consegui escutar e responder aos chamados. Eu não sei como, mas consegui responder e gritar o número do telefone do meu irmão porque ele tinha a cópia da chave do apartamento. Enfim, conseguiram entrar, chamaram o SAMU que me levou para o Hospital e fiquei na UTI por 3 dias. Isso aconteceu numa sexta-feira, fui para o quarto, se me recordo, no Domingo. Foi quando realmente soube o que tinha acontecido comigo. No momento em que me falaram das sequelas que ficaram e a realidade que precisava enfrentar, de início não sabia nem o que pensar até porque a cabeça não ajudava pois fiquei com o lado esquerdo paralisado. No começo não foi fácil me ver naquela situação, não conseguia nem ficar sentada na cama porque caia. No banho as enfermeiras tinham que ajudar, por sorte estava num hospital que tinha uma equipe de fonoaudiólogas e fisioterapeutas que já começaram a trabalhar comigo fazendo a reabilitação dos movimentos. Como disse, não foi nada fácil, pois não conseguia ficar de pé. Depois de quinze dias no hospital, tive alta para ir pra casa. Como moro sozinha, fui para casa da minha mãe para poder me restabelecer, fiquei lá 2 anos. Quando então eu tive que enfrentar a minha nova realidade, com limitações nos meus movimentos, e tomar uma decisão para minha vida ou eu ficaria lamentando as sequelas do AVC ou iria levantar a cabeça e reagir para que eu pudesse voltar o quanto antes a minha vida dentro das minhas limitações. Faço fisioterapia e terapia ocupacional, com a terapeuta ocupacional Heloneide, 2 vezes na semana na FISIOFORM. Tenho dificuldade de concentração e organização mental. Procuro sempre alimentar minha fé porque sem Deus eu não estaria aqui. Entao eu conto minha história a ele e isso me da força para seguir.  Após 2 anos do AVC, com muita fisioterapia, voltei a morar sozinha e uma coisa que eu queria muito era voltar a dirigir. Fiz aula na auto-escola para carro automático e já estou dirigindo. Devemos acreditar em nós mesmos. Quando colocamos metas e nos comprometemos, mesmo com nossas limitações, conseguimos realizar. Faço exercícios específicos com meu braço esquerdo, com a fisioterapeuta domiciliar Léia Lunelli, 1 hora e 2 vezes ao mês. Isso tem me ajudado bastante. Sou imensamente grata a quem me fez caminhar nos primeiros dias no hospital, a fisioterapeuta Beatriz Rangel e também quem é responsável pela minha recuperação assim que eu deixei o hospital e que me ajudou bastante, a fisioterapeuta Gladis Maria Ullmann Gutiérrez. Hoje, quem cuida da minha fisioterapia na Clinica é Mônica Araújo.     Eu penso que devemos fazer o que está em nosso alcance para melhorar nossa qualidade de vida, porque após um AVC a vida continua e porque não fazer o que temos vontade de fazer sempre dentro das nossas limitações? Eu entrei no grupo de Dança Sênior ‘’Chuva de prata’’. A dança Sênior é uma atividade atraente e saudável e de inclusão social, mas também ajuda também tanto na coordenação motora como na agilidade de um raciocínio. Isso nos conduz a uma percepção maior das possibilidades apesar das limitações. A dança sênior mudou a minha vida, nem lembro das minhas limitações, não tenho depressão, sou mais alegre e cada vez fico mais apaixonada pela dança. Faço muitas atividades porque acredito que somos capazes e podemos, mesmo após um AVC, melhorar nossa qualidade de vida afinal, continuamos pessoas normais, apenas com algumas limitações e a vida continua.

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