Problemas de comunicação após o AVC

Home / Folders / Problemas de comunicação após o AVC

Problemas de comunicação após o AVC

Depois de um AVC, muitas pessoas se deparam com dificuldades em se comunicar. Perder a capacidade de falar e entender pode ser frustrante e assustador. O tipo de problema depende da parte do cérebro que foi afetada.

Como o AVC afeta a comunicação?

O cérebro controla complexos processos, dentre eles, sua habilidade de linguagem, tais como: falar, ouvir e entender. Cada processo envolve diferentes partes do cérebro. Quando uma dessas partes do cérebro é afetada por um AVC, a falta dela determina o tipo de problema na comunicação. Existem três tipos mais comuns de problemas de fala, que são:
Afasia: é o mais frequente distúrbio resultante de AVC, e os dois subtipos mais comuns são afasia de expressão e de compreensão.

 

  • Pessoas com afasia de expressão: sabem o que querem dizer, mas têm problemas em falar as palavras. Eles não conseguem encontrar as palavras certas. Ou elas podem usar palavras erradas ou omitir palavras sem perceber.
  • Pessoas com afasia de compreensão: tem problemas em entender as palavras que as outras pessoas falam. Eles podem não compreender a ordem das palavras ou relação entre as palavras, ouvem, mas não entendem.

Disartria: afeta o controle dos músculos da boca e língua devido à fraqueza, paralisia ou incoordena- ção. Pessoas com disartria sabem exatamente o que elas precisam falar, mas não conseguem controlar a articulação dos sons falados; assim,a fala resultante é mais lenta, com sons imprecisos, arrastado, nasalado ou abafado.
Apraxiade fala: afeta a habilidade de coordenar os padrões de movimento necessários para produzir a fala, quando não há paralisia ou fraqueza dos músculos da fala. Devido a isso, a apraxia pode causar dificuldade em produzir o som desejado e/ou ritmo correto ou velocidade de fala.
Para conversar com pessoas que têm dificuldades em entender:

 

  • Pessoas com afasia se distraem facilmente, podem ficar confusas com os ruídos do ambiente e a sua fala ao mesmo tempo.Portanto, desligue rádios e televisão.
  • Fique frente a frente com o paciente.
  • Ofereça dicas sobre os objetos, apontando as coisas ao seu redor,para ajudá-lo a entender o que está sendo dito. Por exemplo: se você está falando sobre as horas, você deve apontar para o relógio de parede ou de pulso.
  • Use gestos e expressões faciais para se comunicar,ou escreva palavras- chave e figuras, para que elas possam entender o significado.
  • Fale em um tom de voz natural, em volume normal, a menos que você saiba que seu familiar tem algum problema de audição. Falar alto não ajudará a pessoa a entender você.
  • Falar devagar pode ser útil;
  • Faça perguntas que exijam respostas simples como “sim” ou “não”. Ex: Você já almoçou?
  • Nunca fale com voz infantilizada.

 

 

  • Seja paciente, não interrompa, não termine as frases para o paciente.
  • Não finja que você entendeu as palavras da outra pessoa, se você não entendeu.
  • Preste muita atenção ao tom das palavras ou sons. O seu familiar com sequela de AVC pode estar tentando dizer alguma coisa.
  • Realize leituras em conjunto, em especial as manchetes de jornais e revistas.
  • Forneça oportunidades ao seu familiar para cantar suas canções favoritas, coloque cds ou dvds de seus artistas e músicas favoritas. Isso é emocionalmente motivador, pode até ter um efeito curativo.

Quem pode ajudar?

As dificuldades de falar e entender devem ser diagnosticadas conjuntamente por médicos neurologistas e fonoaudiólogos, que fundamentalmente são os profissionais mais habilitados ao trabalho específico desse problema.

Qual é o tratamento imediato?

A pessoa que teve um acidente vascular cerebral, ao chegar ao hospital será avaliada pelo neurologista. Se ela apresentar dificuldades de falar e entender as palavras, deverá ser encaminhada ao fonoaudiólogo para uma avaliação.
Inicialmente,o fonoaudiólogo avaliará as necessidades da pessoa em termos de comunicação, do discurso, competências linguísticas e musculatura de fala. Lidar com problemas de comunicação pode envolver outras pessoas, incluindo outros profissionais de saúde, familiares e amigos. A esses últimos o fonoaudiólogo oferece, no hospital, aconselhamento sobre como ajudar a pessoa a se comunicar.
Todas as pessoas que sofreram um AVC são diferentes e como tal, o tempo de recuperação necessário para cada uma é difícil predizer. Infelizmente, algumas pessoas terão dificuldade a longo prazo e podem necessitar de continuar a reabilitação da comunicação após a alta hospitalar.

 

Elaboração:
Lila Jerusa N. P. Abreu – Fonoaudióloga e-mail:fonolila@hotmail.com
Equipe Interdisciplinar U-AVC – HMSJ – Joinville – SC

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.