O que é espasticidade pós AVC

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O que é espasticidade pós AVC

A definição de Acidente Vascular Cerebral (AVC) pela Organização Mundial de Saúde é de síndrome clínica com desenvolvimento súbito de sinais de perturbação focal ou global da função cerebral, de origem vascular, com mais de 24 horas de duração.
No Brasil, o AVC é a principal causa de morte e sabemos que, no mundo, o AVC é a principal causa de incapacidade, ou seja, sequelas.
Assim, após um AVC do qual resultou alguma sequela, devemos focar na reabilitação dessse indivíduo para que ele atinja a independência para as atividades da vida diária. Essa reabilitação deve ser iniciada assim que esteja estável clinicamente, ou seja, nas primeiras horas.
As sequelas resultantes de um AVC envolvem comumente alterações motoras (força muscular) e sensitivas (sensibilidade), prejudicando a mobilidade física.
Déficits nas funções cognitiva (por exemplo, memória), visual, emocional, equilíbrio, para alimentação e da fala também podem estar presentes. A gravidade dependerá da região e extensão da lesão no cérebro. Assim, o paciente deverá ser avaliado por uma equipe interdisciplinar para programação do tratamento reabilitador a ser instituído. Essa equipe deve ser composta por:

 

  • Fisioterapeuta
  • Terapeuta Ocupacional
  • Fonoaudiólogo (fala e deglutição)
  • Psicólogo
  • Nutricionista
  • Enfermeiro
  • Assistente Social

A reabilitação desse paciente é na maioria das vezes, um grande desafio. Os esforços para minimizar o impacto na qualidade de vida e para aumentar a recuperação funcional após AVC têm sido o foco para as equipes interdisciplinares de reabilitação.
A presença de déficit do controle motor pode ser caracterizada por fraqueza, mas também alteração de tônus (contração muscular) e movimentos estereotipados (anormais), que podem limitar as habilidades para realizar atividades como andar, vestir-se, alimentar-se e autocuidar-se, ou seja, ser independente para as atividades da vida diária.
A hemiplegia, conhecida como paralisia (total ou parcial) de um lado do corpo é uma sequela frequente pós um AVC.

O que é a Espasticidade?

A espasticidade é uma exacerbação da contração muscular.
Imediatamente após o AVC, existe perda do tônus (contração) muscular, denominada de paralisia flácida.
A flacidez é caracterizada como perda do movimento voluntário.
Nenhuma resistência é encontrada quando o alongamento é aplicado na musculatura. Esse estágio pode durar horas, dias ou semanas. O tônus muscular tende a aumentar gradualmente e a espasticidade a se instalar.
A espasticidade pode ser prevenida com a reabilitação precoce, mas alguns pacientes irão desenvolvê-la apesar disso.
Cerca de 40% dos pacientes que sofreram um AVC evoluirão com espasticidade. Essa condição tem grande impacto na vida dessas pessoas. Afeta sua rotina pessoal e familiar. Muitas vezes, a rigidez muscular impede as tarefas do cotidiano como a alimentação, movimentação e higiene pessoal.
Se não prevenirmos ou não tratarmos a espasticidade que se instalou, teremos como consequência:

 

  • Deformidades posturais
  • Dor intensa
  • Redução na mobilização
  • Comprometimento funcional
  • Diminuição na qualidade de vida do paciente
  • Aumento na carga do cuidador

Devemos também estar alerta para os fatores agravantes como:

 

  • infecções urinárias;
  • úlceras de pressão (escaras);
  • obstipação intestinal;
  • retenção urinária;
  • emocionais;
  • climática (frio);
  • imobilidade;
  • lesões ungueais (nas unhas, como micoses)

Como devemos tratar a espasticidade?

 

  • Reabilitação;
  • Correção dos fatores agravantes;
  • Medicamentos relaxantes musculares orais ou injetáveis como a Toxina Botulínica.

Os medicamentos orais que podem ser utilizados para minimizar a espasticidade normalmente levam a efeitos colaterais indesejáveis como: sedação, hipotensão, reação na associação com outros medicamentos e aumento do risco de convulsões.
O tratamento com Toxina Botulínica, realizado com injeções diretamente nos músculos afetados, atuando na junção neuromuscular, leva a um relaxamento muscular sem efeito generalizado e transitório. Assim, para maior benefício, as aplicações devem ser repetidas a cada 3 ou 4 meses.
Converse com a equipe de reabilitação e com o seu médico para ver qual seria o melhor tratamento para o seu caso.

 

Elaboração: Carla Heloisa Cabral Moro – Neurologista carla@neurologica.com.br Equipe Interdisciplinar U-AVC – HMSJ – Joinville – SC

 

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