Dificuldades de deglutição após o AVC

Dificuldades de deglutição após o AVC

O que é Disfagia?

Mais da metade das pessoas que tiveram um AVC poderão ter dificuldades de comer ou beber. Essa dificuldade é chamada de disfagia e é causada pelo dano de alguns nervos e músculos usados para mastigar e engolir. Na disfagia, ocorre um desvio do alimento ou da saliva, obstruindo parcialmente ou completamente as vias respiratórias.

Quais são os sinais e sintomas da disfagia?

 

  • Tosse e engasgos quando a pessoa tenta engolir alimentos ou líquidos;
  • Sensação de alimento parado na garganta;
  • Sialorréia (babar);
  • Tempo de refeição muito prolongado;
  • Rouquidão ou cansaço depois de comer ou beber;
  • Restos de comida na boca após engolir;

Se os alimentos ou bebidas desviarem pela via respiratória, o “caminho errado” , você pode desenvolver uma infecção no pulmão, com dificuldade de respirar e febre.

Dicas simples para facilitar a deglutição (ato de engolir)

 

  • O paciente deve estar alerta (bem acordado) e compreendendo ordens simples. O ambiente de alimentação deve ser calmo e com o mínimo de distrações.
  • Nunca oferte comida à pessoa deitada, salvo em caso de orientações específicas.
  • Em caso de má adaptação das próteses dentárias, retire-as.
  • Oferte colheradas menores e não misture comida e bebida na boca ao mesmo tempo.
  • Ofereça os alimentos sem pressa.
  • Não permita que a pessoa fale com a comida na boca.
  • Evite que a pessoa coma com a cabeça inclinada para trás, salvo com orientação profissional.
  • Incentive a pessoa a mastigar bem os alimentos.
  • Verifique se a boca está vazia, antes de ofertar outro gole ou colherada.
  • Evite oferecer alimentos difíceis de engolir, como alimentos duros e secos.
  • Não use canudos, a menos que um fonoaudiólogo o recomende.
  • Peça ao médico para prescrever os medicamentos do paciente em calda ou na forma líquida.
  • Verifique com o médico ou farmacêutico se existe possibilidade de esmagar os comprimidos sem perda do efeito do medicamento.
  • Caso necessário, ofereça alimentos mais pastosos e líquidos engrossados, pois o engasgo com alimento líquido é o mais frequente.
  • Deixe a pessoa que teve um AVC sentada por meia hora após as refeições, para ajudar a digestão.

Se não for possível comer pela boca?

Se a pessoa não consegue engolir qualquer alimento por via oral, ela vai precisar de alimentação por sonda nasoenteral (SNE) ou via gastrostomia. A nutricionista irá prescrever uma dieta equilibrada, líquida, especificamente adaptada às necessidades nutricionais diárias e isso vai ser gotejado lentamente, através da sonda.
É importante manter a cabeceira da cama bem elevada quando estiver sendo alimentado por sonda, para facilitar a digestão e evitar retorno de alimento.
Não se deve esquecer de realizar a higiene oral com cuidado: fazer a limpeza 4 vezes ao dia e não realizar bochecho, devido ao maior risco de engasgo. Solicite à equipe orientação adequada.

Quem pode ajudar?

As dificuldades de comer e beber devem ser diagnosticadas e tratadas conjuntamente por médicos, enfermeiros, nutricionistas, terapeutas ocupacionais e, fundamentalmente, fonoaudiólogos, que são os profissionais mais habilitados ao trabalho específico desse problema.

Qual é o tratamento imediato?

A pessoa que teve um acidente vascular cerebral não deve comer ou beber nada até que tenha a sua deglutição avaliada por um profissional de saúde no hospital.
Se ela apresentar dificuldades de engolir a comida, deverá ser monitorada pela equipe e familiares e encaminhada ao fonoaudiólogo para uma avaliação e tratamento completo de deglutição.
Se você observar a permanência de algum desconforto ou dificuldade de deglutição de alimentos, comunique imediatamente o médico responsável pelo caso ou a enfermeira.
Referências:
Swallowing problems after stroke (dysphagia) http://www.heartstroketayside.org.uk/con- tent/pdfs/F29_Swallowing.%202008.pdf. Acesso em : 28.mai.2012 SANTINI, C. S. Disfagia neurogênica. In: FURKIM, A. M.; SANTINI, C. S. Disfagias Orofaríngeas. Carapicuíba: Pró – Fono, 1999. p. 19 – 34.

 

Elaboração:
Lila Jerusa N. P. Abreu – Fonoaudióloga fonolila@hotmail.com
Equipe Interdisciplinar U-AVC – HMSJ – Joinville – SC

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